Avydia (ignorância existencial) pode ser observada por 4 focos através do discernimento: pela conexão com os 6 sentidos(sem a conexão pelos sentidos não estou no mundo), pela objetividade ou discernimento das bolhas de realidade (ilusões, como por exemplo, aquilo que nos condicionamos a fazer automaticamente), pela forma manipuladora do mundo em que vivemos ou seja, como a persona emerge com o mundo, o que faz a ligação do externo com o interno ( produzindo a lente pela qual olhamos o mundo) e através dos referenciais que adotamos para o despertar, observando as fontes de refúgio (plataforma de interação mental/emocional a qual recorremos quando algo foge do controle). Entre estas duas últimas faixas há algo relativo a como posiciono a mente focando um referencial, mas que pode também tornar a pessoa escrava, já que imersa no ego dos ensinamentos, abre mão da liberdade, ou seja, deixa de viver a essência da sabedoria em si para repetir uma rotina(fontes de refúgio mental). Piero Ferrucci autor italiano, refere-se a este estágio como "rotinização". A lição que abstraí disto foi absorver que os ensinamentos dos sábios devem ser assimilados em sua essência e vividos com liberdade por cada um, a partir de si próprio, ou seja, aplicando em sua vida cotidiana, a partir de si, sendo os ensinamentos uma referência que deve ser digerida e descartada com o tempo (enquanto rotina). As expressões vão ao longo da vida formando uma rede interconectada inconsciente que reflete a expansão da consciência num movimento de dentro pra fora. Em determinados ciclos podemos ter ficado tecendo ramos periféricos recorrentes desvinculados aparentemente do Ser, que parte do centro, já que a atenção se fixou na sobreposição de motivos periféricos anteriormente memorizados, dando a impressão de separação, mas logo percebemos que está tudo interconectado e que nunca houve separação. Embora esta teia possa influenciar o livre arbítrio ou o desenho de alguns ramos da vida. O movimento cada vez mais vindo de dentro e conectado ao presente promove o sentimento do desabrochar de uma flor e mesmo que em alguns ramos desconexos tenhamos sofrido emocionalmente, isto tende a se pulverizar no todo, cujo significado expressa a manifestação do que somos. Na observação desta rede interconectada expandimos a consciência para uma dimensão além da nossa lógica e que escapa ao controle, o que proporciona que nos demos conta de que nos aceitando como somos, com amor, também aceitaremos a vida como ela se expressa, em comunhão ao amor que desabrocha com a dádiva do viver.
É muito comum, por exemplo, desenvolvermos a habilidade de julgar o que estamos colhendo no momento presente, enquanto a vida apenas flui, e no momento em que automaticamente rotulamos algo como bom ou mau, passamos a dar importância e a criar o cenário desta circunstância, produzindo uma bolha de realidade subjetiva. Se, por outro lado, tivermos a possibilidade de viver o silêncio entre a nossa mente e as nossas ações, cotidianamente, teremos a oportunidade de tomar consciência deste vínculo, o que nos libera, afinal, de tudo aquilo que não podemos soltar, não somos seus donos, mas sim, seus escravos. "A dificuldade de encontrar a si mesma(o) pode se manifestar por meio de diferentes sintomas, como a compulsão e o consumismo. Essa (compulsão) é a principal razão que leva as pessoas a comprarem o que não precisam, com o dinheiro que ainda não possuem, para impressionar quem não conhecem e fingir ser o que não são. O auto engano é um grande opositor do autoconhecimento, e o maior aliado dele (do auto engano) é o medo da exclusão social" (Waldemar Magaldi Filho - Psicólogo). O florescimento na natureza implica que tenha havido a semeadura. Podemos deixar que tudo floresça ao seu tempo, e que as semeaduras sejam espontâneas, embora seja um atributo da mente, depois que conhecemos o processo da semeadura à colheita, podermos nos utilizar do planejamento para que a flor brote ao lado do caminho e não no caminho, onde possa ser pisoteada pelos transeuntes, por exemplo. Ocorre que planejando tudo podemos acabar tão identificados com este atributo que passamos a viver no futuro e não mais no presente, o que gera a ansiedade. -Você tem que fazer deste jeito !!! ...As pessoas não te dizem : - Faça do seu jeito!!! Então, este condicionamento de querer que sejamos perfeitos desde filhos, etc já vai se moldando, e sem perceber, passamos a também querer ser perfeitos em tudo, daí o estímulo de planejar tudo para que saia "perfeito". No entanto, a busca da perfeição gera ansiedade, que gera expectativa, que gera o medo de não atender a expectativa alheia, e quando percebemos estamos no labirinto novamente. Sentir medo de não atingir a expectativa alheia é o mesmo que sentir medo da rejeição dos outros, por não nos enquadrarmos em seus moldes. Então, no limite, nos auto corrompemos, por medo de não nos enquadrarmos no que os outros querem que sejamos, embora deixar-se ir do nosso jeito, nos proporciona transcender este medo.Trem que não para,Vício, Matrix, Labirinto, Sansara, Ilusão,Plano Manifesto ...a todo momento recebemos dicas de que algo existe e permite que a energia vital flua e manifeste aquilo que absorvemos. A ignorância existencial é apenas aquilo que impede que despertemos para expandir a consciência para o fato de que a energia vital entra no labirinto da existência e muitas vezes se perde em seus caminhos, e inúmeros refúgios, que velam com suas paredes as portas de saída e entrada. Uma vez neste ambiente, uma energia magnética dinâmica nos impele a agir em seu meio, enquanto no propõe tomar consciência de seu poder em nos manter presos. Em cada circunstância há a possibilidade de observarmos a ignorância existencial, e neste sentido, a própria vida se basta para nos conduzir ao momento em que vamos tomar consciência desta realidade. Na compulsão , no consumismo, na necessidade de se sentir inserido, enfim, em tudo que está a nossa volta observamos um contexto, uma energia dinâmica emergindo com o mundo a nos atrair para o seu meio, e aos poucos vamos expandindo a consciência para isto. A impermanência gerando a insatisfação e consequentemente o sofrimento, marcando. Por isso, enquanto não nos voltarmos para dentro, a impressão é de que o trem não vai parar e vamos sucumbir com ele. Teremos então de um lado a circunstância demandando energia, consequentemente a expansão da manifestação, e do outro, a possibilidade de desconectar desta identidade do mundo, possibilitando que a energia brote sem a interferência do meio externo. Só quando passarmos a gerir esta energia dinâmica do mundo a ponto de não irmos com ela, sendo capazes de produzir a energia a partir da nossa essência, sem interferência do meio externo é que neutralizaremos a relação de causa e efeito. Afinal, estaremos interagindo com a vida alheios ao labirinto, sem a necessidade de busca da energia no meio.A realidade considerada como sendo a capacidade de nos energizarmos e consequentemente nos motivarmos, pelo simples fato de estarmos respirando, se contrapõe à realidade de nos energizarmos, e portanto, nos motivarmos com algo advindo de uma circunstância externa (Promoção profissional, vitória do time que torcemos, compra de algo novo, status, ser aceito no meio social, vício, drama de controle, etc). E para que possamos nos energizar em função de uma circunstância externa é necessário que estejamos convictos de que ela é real, e representa a verdade para nós, mesmo que seja algo que nos energiza temporariamente, ou seja, com prazo de validade, quando focaremos nossa atenção em outra circunstância externa, caracterizando a impermanência que gera insatisfação, e consequentemente produz sofrimento. Assim, detectamos e tomamos consciência pouco a pouco da existência de " bolhas de realidade", na vida cotidiana, o que pode ser chamado de ilusão, já que quando nos energizamos de dentro para fora, independemos destas circunstâncias para nos mantermos motivados, e consequentemente, o sofrimento oriundo do meio perde a força dinâmica. Cedo ou tarde vamos despertar para a consciência das portas de saída, para os aspectos desta energia magnética que nos impele a agir e vamos poder agir ou não, assim como, entrar e sair conscientemente. Portanto, o importante é tomar consciência do que é a ignorância existencial, sendo que atrairemos exatamente o que precisamos para achar a porta de saída e depois poderemos treinar entrar e sair até que este treino não seja mais necessário. Sendo assim, conscientemente podemos desfrutar de tudo, e desfrutar da vida o que ela nos proporciona de mais belo: a possibilidade de viver plenamente. Aos poucos, a vida vai nos ensinando a dar menos atenção pro mundo la fora e a nos aceitarmos como somos, e quando a gente se aceita, assim natural, sem julgamentos, aceitamos também o outro como é, e sentimos com maior lucidez o sentimento de amor. Ao nos dedicarmos mais a nós mesmos, voltando a energia para partir de dentro e não apenas focando os interesses do mundo, sentimos amor próprio e este sentimento se expande para fora, re-significando a lente com que enxergamos o mundo. As resistências que moram dentro de nós, portanto, passam a fluir, com o não julgamento, tanto de si quanto do mundo, propiciando a expansão da consciência para novos horizontes.
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terça-feira, 1 de outubro de 2013
quarta-feira, 21 de março de 2012
O processo de retorno à inocência
Leo Buscaglia Ph.D e professor universitário, nos lembra que a frustração, o isolamento e a ansiedade, provocadas por necessidades emocionais não satisfeitas, podem, como uma privação física, produzir morte, ou um grau de morte na vida, como uma neurose ou uma psicose. E explica que isso se dá porque não fomos preparados desde a infância a investir parte de nosso tempo diário com atividades que envolvam a satisfação de necessidades emocionais e no processo de auxiliar os outros a satisfazerem suas necessidades, mas sim a exclusivamente pensar e agir em função da obtenção de renda para a subsistência. No entanto, há necessidades básicas que precisam ser atendidas para que um ser humano se desenvolva, até quando desperte para uma nova dimensão consciencial, como: ser visto, reconhecido, apreciado, escutado, acariciado, satisfeito sexualmente, com liberdade de escolher seu próprio caminho, crescer à sua maneira e cometer seus próprios erros, enfim, aprender. Aceitando a sí mesmo e aos outros seres humanos, que consequentemente o aceitarão. Assim, primeiro é desejável ser um "eu" tanto quanto um "nós", esforçando-se por crescer, sendo este indivíduo único que é, para num segundo passo, despertar para novos horizontes. O amor, enquanto sentimento, reconhece todas essas necessidades, e se qualquer uma não puder ser satisfeita, inviabilizará a plena realização do indivíduo, mantendo-o preso a conflitos inconscientes. O amor escuta, toca, acaricia, mesmo que não fisicamente, porém, o amor físico é necessário para a alegria, o crescimento e o desenvolvimento. O amor não é o sexo, embora uma gratificação sensual em graus variados seja sempre uma parte do amor. É impossível imaginar uma situação onde alguém ame profunda e sinceramente sem um desejo por alguma forma de gratificação sexual. O que ocorre é que através dos hábitos e das leis de nossa sociedade, ao longo do tempo fomos nos distanciando uns dos outros, ao longo do tempo, de forma que o amor e a pessoa amorosa tornaram-se sinônimo de "bobeira" e "pessoa sensível". A ponto de se afirmar que devemos nos relacionar, mas sem nos apaixonarmos, sem amarmos o outro verdadeiramente. Não há dúvida de que qualquer pessoa é real quando você a toca, quando sente as carnes dela nas suas, mesmo por um rápido momento. Há pessoas que preferem não ser tocadas, e é claro que isso deve ser respeitado, mas o amor é físico, ele toca tanto via física quanto mental/emocional , sentimental e espiritual. O amor necessita sobretudo de liberdade, pois em todos os sentidos ele é sempre livre, tanto no dar quanto no receber, necessitando da liberdade para crescer. Cada Ser crescendo no amor descobrirá seu próprio caminho, sua própria direção para o amor. Cada indivíduo pode julgar por si só que caminho tem significado para ele. Quando os caminhos se cruzam, existe a união; quando correm paralelos existe a paz, desde que cada caminho ame e honre o outro. O amor nunca dá direção, pois sabe que conduzir alguém para fora de seu caminho é oferecer-lhe o nosso, que nunca será verdadeiramente dele e certamente o enfraquecerá. Deve ser livre para seguir seu próprio caminho, da forma que escolher e com a intensidade que quiser. Deve ser livre para cometer seus próprios erros e, a partir deles, aprender o que quiser. Nosso amor está lá para dar-lhe apoio, a força para continuar sua procura de forma segura (se ainda busca), alegre, e oferecer-lhe o estímulo diário do qual necessitará. Qualquer auxílio dado é no sentido apenas de ajuda-lo a encontrar a pessoa que está procurando há tanto tempo. O amor é seu guia, não seu lider. E deste ponto de vista, cada ser é seu próprio guia. O amor nunca deve ter o objetivo de refletir quem o dá, pois se houver qualquer revelação da ajuda, então evita-se que o ser amado siga verdadeiramente o seu caminho e ele não está sendo verdadeiramente livre. Há o seu caminho e o amor o estimulará a segui-lo, mesmo que seu caminho não proponha o encontro mútuo. Manter alguém naquilo que acreditamos ser o caminho correto para ele(a) é levá-lo(a) para a escuridão. O amor escuta as suas próprias necessidades, no entanto, numa sociedade repleta de leis, regulamentos, guias, enfim, condicionamentos, para se ter a aceitação amorosa e social, muitas vezes, a persona está tão preocupada com o que os outros acreditam, dizem ou pensam, que pára de escutar o que ela própria acredita, pensa ou diz. Então a sociedade lhe diz onde e como deve morar, como deve se portar, no que deve crer, como deve se locomover e vestir, e, aos poucos, sem perceber, a persona estará tão identificada com o que a sociedade quer e espera dela que nem lembrará do que ela mesma acredita ou quer pra sí. Portanto, num determinado tempo, é normal que as cascas comecem a ir caindo e se desperte para o que verdadeiramente se sinta e queira, retornando a ser mais sí mesmo. Então, o amor escutará suas próprias necessidades e apreciará sua própria individualidade, orientando a persona neste processo de retorno à inocência. Cada um ao seu próprio modo e tempo.
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