quarta-feira, 2 de abril de 2014

Liberalismo x Neoliberalismo e como isto influi na política

Relembrada a ideia sobre o liberalismo clássico, podemos compreender o liberalismo x Neoliberalismo. As ideologias vão sendo desenvolvidas ao longo dos tempos, em função do desenvolvimento humano, o que se reflete na vida social, já que o homem assimila e implementa suas idéias no convívio de seu semelhante, e no contraste de ideologias, aos poucos vai desenhando o contorno de sí mesmo até "Ser", tanto no macro como no microcosmo.

Uma das características do estado liberal é a clara demarcação entre Estado e não-estado. Isto se traduziu ao longo do tempo, na perda, por parte do estado liberal, do poder ideológico, na medida em que se procedeu ao reconhecimento dos direitos civis, sobretudo os da liberdade religiosa e de opinião. Este fato, justifica a identificação que se faz entre Laicismo (governo pelo clero) e Estado liberal (governo dissociado do clero). Esta demarcação ou delimitação entre o estado e não estado se emancipou de várias formas, e a perda do monopólio do poder econômico foi uma destas principais formas, o que resultou na concessão da liberdade econômica; (Basta observar como eram as sociedades enquanto feudos e como são as sociedades atuais)! Portanto, o único poder que o estado liberal reteve, no processo histórico de sua afirmação, foi o monopólio da força. Mesmo assim, o uso da coerção organizada viu-se batizado pela instauração do "Estado de Direito e do Princípio da legalidade". Em síntese, ao longo do tempo, o liberalismo buscou circunscrever a ação do Estado. Em termos de teoria política, isto veio a significar a ideia do "Estado mínimo", e enquanto teoria econômica desaguou na defesa da economia de mercado.

No Ocidente desenvolvido, assistimos ao aumento do que se chama "Neo-liberalismo", que tem como característica básica (em sua raíz ideológica), a crítica aos socialismos reais.

Neo liberalismo e o Brasil

Através da crítica às novas formas de despotismo que assinalam o comunismo, o novo liberalismo reivindica a afirmação dos direitos do homem, reclamando igualmente a superioridade do mercado em contraposição à ineficiência do "Estado intervencionista", tanto nos países ditos comunistas quanto naqueles onde prevalece, em maior ou menor grau, formas de social-democracia. Em resumo, ao fazer a crítica a um Estado burocratizado, responsável pela perda das liberdades pessoais, pela malversação de recursos e pela má gestão econômica, o neo-liberalismo faz uma crítica a um Estado de cunho paternalista que, ao tratar seus súditos como menores e não como adultos, impede o livre jogo das virtualidades dos indivíduos nos mercados econômico e político.

Até aqui, já dá até para fazer um exercício sobre onde o Brasil,se encontra neste contexto, e se tem alguma dúvida sobre o que o liberalismo gerou nas sociedades, basta observar Cuba e comparar com os demais países que estão num estado liberal.

Na Europa e EUA o Estado do bem-estar social originou-se de governos democráticos, que por sua vez foram um desdobramento da doutrina liberal. Aqui no Brasil, pra variar, houve uma distorção do liberalismo (no bom sentido), que utilizou-se da doutrina liberal para desempenhar um papel importante na luta contra o autoritarismo, ao invés de fazer sua crítica à Social democracia como na origem, citada acima, já que é um país com características distintas. Assim, o liberalismo aqui se destacou frente a luta contra ao autoritarismo e, portanto, contra o regime militar. Desta forma, por aqui deu-se a afirmação dos direitos humanos e a re-implantação do Estado de Direito, como meios de enfrentar o arbítrio político, sobretudo dos atos institucionais (Quem não lembra do AI5 do governo militar?). Paralelamente, essa atuação da doutrina liberal inspirou uma critica ao crescimento excessivo do Estado nos últimos anos, seja no campo regulamentar, seja na ação empresarial, visando enfrentar o arbítrio econômico estatal.

Sobre o Liberalismo Clássico (como surgiu e o que representa nos dias de hoje)

Ao contrário do socialismo, cuja história se identifica basicamente com o pensamento de Marx, o liberalismo é um movimento de idéias que passa por diversos autores, entre os quais avultam Locke, Montesquieu, Kant, Adam Smith, Humboldt, Benjamim Constant, John Stuart Mill e Tocqueville. Estes autores, se têm afinidades, apresentam, por outro lado, diferenças muito apreciáveis. Historicamente, se pode dizer que a formulação do Estado Liberal, assinalada pelo movimento de idéias dos autores acima citados e que estão na base da doutrina liberal, obedece um duplo processo: a emancipação do poder político do poder religioso e a emancipação do poder econômico do poder político. Locke considera que o Estado existe para proteger os interesses do homem que, pelo seu próprio esforço, acumulou bens e propriedades, pois como disse ele, Deus fizera o mundo para "uso dos industriosos e racionais", e o Estado existe para protegê-los em sua exploração do mundo. Uma vez que a doutrina liberal repudia qualquer privilégio decorrente do nascimento e sustenta que o trabalho e o talento são instrumentos legítimos de ascensão social e de aquisição de riquezas, quaisquer indivíduo pobre, mas que trabalha e tenha talento, pode adquirir propriedade e riquezas.
A Igualdade, outro valor importante para a compreensão da doutrina liberal, não significa igualdade de condições materiais. Assim como os homens não são tidos como iguais em talentos e capacidades, também não podem ser iguais em riquezas.
" Não temos todos talento igual e a propriedade é, em geral, uma retribuição ao talento. A propriedade igual para todos é uma simples quimera; só poderia ser obtida por espoliação injusta. É impossível, em nosso feliz mundo, que os homens que vivem em sociedade não se dividam em duas classes: os ricos e os pobres." (Voltaire)
Assim, para a doutrina liberal, como os homens não são individualmente iguais, é impossível querer que sejam socialmente iguais. Pelo contrário, a igualdade social é nociva, pois provoca uma padronização, uma uniformização entre
 os indivíduos, o que é um desrespeito à individualidade de cada um.
"O liberalismo vê na igualdade social o fruto da intervenção autoritária, cujo resultado final é, em seu ponto de vista, uma restrição à personalidade individual."
Voltaire

A verdadeira posição liberal exige "Igualdade perante a Lei", igualdade de direitos entre os homens, igualdade civil. Tal posição defende que todos Têm por lei, iguais direitos à vida, à liberdade, à propriedade, à proteção das leis. Assim, diz Rousseau:
"(...) em lugar de destruir a igualdade natural, o pacto fundamental (o Estado) substitui, ao contrário, por uma igualdade moral e legítima, o que a natureza tinha podido por de desigualdade física entre os homens, para que podendo ser desiguais em força e em gênio, todos se tornassem iguais por convenção e de direito."
Daí não se pode concluir, entretanto, que o princípio da igualdade implique na eliminação das desigualdades sociais entre os homens, principalmente das diferenças de riqueza. Vejam o que Rousseau diz:
"(...) a respeito da igualdade, é preciso não entender por esta palavra que os graus do poder e de riquezas sejam absolutamente os mesmos; mas que, quanto ao poder, ele se encontra abaixo de toda violência, e nunca exerce senão em virtude da posição social e das leis; e, quanto à riqueza, que nenhum cidadão seja suficientemente opulento para poder comprar outro, e que nenhum seja tão pobre que seja coagido a vender-se (...)"

"Precisamente porque a força das coisas tende sempre a destruir a igualdade, é que a força da legislação deve sempre tender a mantê-la."

FONTE DE INFORMAÇÕES> Livro: Educação e Desenvolvimento Social no Brasil - Luiz Antonio Cunha; Texto/ artigo de Jornal do Professor Celso Lafer - O Liberalismo Hoje - "Liberalismo, Contratualismo e Pacto Social";

quinta-feira, 13 de março de 2014

O mundo, sua energia dinâmica, e a missão do Ser de desidentificar-se ao longo da vida

Em qualquer momento que nos observamos há pensamento ocorrendo. Existe uma compulsão para pensar o tempo todo. Mas não é necessário estarmos o tempo todo pensando, podemos repousar enquanto somos, conectados com o momento presente. Então uma brincadeira gostosa é abandonar o pensamento por algum tempo, conectando-se com a fonte, o agora, mas sem pensar que está "deixando de pensar", apenas não dando atenção aos pensamentos. Mas porque nos viciamos em pensar ? Isto é interessante porque nos remete à construção deste personagem que chamamos de "ego" desde a infância. Salvo quando somos educados por pessoas espiritualizadas, raramente ouvimos na infância que haverá a construção de uma identidade e que, na verdade, não somos este personagem que brota além da consciência de Ser. Sendo assim, nos acostumamos a perceber o eu interior através do conteúdo e da atividade de nossas mentes. A impressão que dá quando nos desenvolvemos desde a infância é a de que deixaríamos de existir se parássemos de pensar. Daí decorre a construção de uma imagem mental de nós mesmos, baseada nos condicionamentos a nível pessoal e cultural. Isto implica numa atividade mental ininterrupta que visa manter-se através do pensamento, afinal é assim que conseguimos delimitar o que imaginamos ser nosso EU, num primeiro momento. Então chamamos de ego este falso eu interior, criado por uma identificação inconsciente com a mente, mas que quando percebido posteriormente pode ser observado, já que com o decorrer da vida, já estaremos vivendo muitos efeitos manifestos gerados em função da ação deste personagem, não do que somos verdadeiramente. Consciência e pensamento não são a mesma coisa, o pensamento é um pequeno aspecto da consciência e não consegue existir sem a consciência, mas a consciência não necessita do pensamento para existir. Então uma coisa é pensar para resolver assuntos práticos do dia a dia e seguir, outra é ficar viciado e escravo do pensamento, em função deste personagem construído inconscientemente pelo meio. Ao observar o personagem e quais são as ações ligadas e oriundas dele na vida, percebemos quem o está observando e nos descobrimos do véu da ilusão. Portanto, em outras palavras, percebemos que é através do controle (cognitivo/emocional) daquilo com o que nos apegamos, que nos sentimos como indivíduos. A identificação está ligada ao desejo, à ânsia da busca por uma ilusória felicidade no mundo. Ilusória porque provém da ilusão da felicidade forjada pelo meio ou cultura em que vivemos, projetada em nós através do condicionamento social. Só quando observarmos e sentirmos o desejo, e através da consciência pudermos discernir se cedemos ou não ao ímpeto de sua energia dinâmica, assumindo as responsabilidades e consequências de nossas escolhas e ações é que estaremos nos desvencilhando da força do mundo sobre nós. "Nos condicionamos a ficar vulneráveis ás circunstâncias aparentes e depender delas para repor a estabilidade de nossa energia, ou seja, tentamos repor a energia em função do mundo externo (Samsara), quando na verdade, antes da leitura das aparências e de sua co-emergência, através de nossa lente, já somos a energia estável, independente da circunstância que se apresenta." (Lama Padma Samten)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O movimento do Zodíaco

O que ocorre com o Zodíaco? O zodíaco , os 12 sinais (Constelações) listados em um horóscopo, está intimamente ligado à forma como a Terra se move através do céu . Os sinais são derivados de constelações que delimitam o caminho em que o sol viaja ao longo de um ano . Em princípio , as datas num horóscopo deveriam corresponder ao momento em que o sol passa por cada constelação. Mas elas não correspondem na maior parte do tempo. Em um exame mais detalhado do movimento da Terra , o sol, e as estrelas do zodíaco mostram -se mais complexos do que se possa imaginar!

À medida em que a Terra orbita o sol, este aparentemente passa na frente de diferentes constelações. Muito parecido com o que ocorre com a lua que aparece em um lugar um pouco diferente no céu todas as noites , a localização do sol em relação ao fundo distantes das estrelas anda na direção leste de dia para dia . Não é que o sol esteja realmente se movendo . O movimento é totalmente uma ilusão causada pelo movimento próprio da Terra em torno de nossa estrela maior (no sistema solar).
Ao longo de um ano , o sol parece estar em frente , a diferentes constelações. Um mês , o sol aparece em Gêmeos , o próximo mês , em Câncer . As datas listadas no horóscopo do jornal identificam quando o sol aparece em um signo astrológico particular. Por exemplo , em março de 21 a 19 de abril reservado para o signo de Áries . Mas observar o signo astrológico não significa necessariamente dizer que o Sol estava nesta constelação precisamente, no dia em que nasceu.

Se fosse assim tão simples !

Para entender por que as constelações não alinham com os seus sinais (signos) correspondentes , precisamos saber um pouco mais sobre como a Terra se move . E algo sobre como medimos o tempo .

O tempo é uma coisa extremamente difícil de definir, especialmente se insistirmos em usar o sol e as estrelas como referência. Nosso calendário é , para melhor ou pior, ligado às estações do ano. 21 de junho - o solstício de verão acima do equador e do solstício de inverno abaixo marca o dia em que o sol aparece em seu ponto mais setentrional no céu. No solstício de junho, o Pólo Norte está mais inclinado para o sol.

O que torna isto complicado é que o Pólo Norte não está sempre apontando para a mesma direção em relação às estrelas. Nosso planeta gira como um pião . E como um pião , a Terra também oscila ! A Terra faz balançar o Pólo Norte traçando um círculo na esfera celeste . Agora , a oscilação é tão lenta que leva 26.000 anos para girar uma vez , mas com o passar dos anos , o efeito se acumula.
Ao longo de uma órbita ao redor do Sol , a direção do eixo da Terra desvia levemente (Precessão dos equinócios). Isso significa que , ao longo de nossa órbita, onde ocorre o solstício, também muda por uma quantidade muito pequena de "tempo" . O solstício ocorre realmente cerca de 20 minutos mais cedo do que uma viagem inteira na frente das estrelas ! (Fonte do texto: Earthsky/ Fonte da imagem: Tau’olunga (via Wikipedia))

(À medida que a Terra orbita o Sol , o Sol parece mover-se contra as estrelas de fundo (linha vermelha) . Por entre as constelações ( verdes ) , através do qual o Sol define o zodíaco)