quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Enigma - Sunrise





Olhar dentro das fantasias e realiza-las,

Sonhos que se desprendem da realidade,
Coragem para enxerga-los,
humildade para ser o que encanta,
rasgando a imagem,
chutando a projeção na água.

Nada é tão sério assim, 
a ponto de apagar o sorriso,
então, preencha com alegria
a leveza do sentir.

Fantasias ou sonhos,
palavras para o mesmo significado, 
inconsciente revelando algo,
impulso querendo brotar para o ar,
inundando a mente de coração,
florindo a vida da gente.

Lao Tsé

"Quem de Boa vontade carrega o difícil
Supera também o menos difícil.
Quem sempre conserva a quietude
É senhor também da inquietude.
Por isso, o sábio carrega de boa mente
O fardo da sua jornada terrestre.
Nunca se deixa iludir
Por deslumbrantes perspectivas.
Trilha com tranquila dignidade
O seu solitário caminho.
O homem profano, porém,
Que se derrama pela vida superficial,
Dissolve com sua leviandade
A solidez da sociedade;
Destrói com sua inquietude
A quietude do Reino,
E destrói também o seu próprio Reino."

sábado, 2 de agosto de 2014

Como me sinto separado, se somos UM com o TODO?

Quando abro os olhos ao acordar, lentamente a memória vai despertando, como quando ligamos o computador. É muito bom perceber o quão silencioso sou antes que o primeiro pensamento surja na tela da memória. Em fração de segundos a identidade fixa, os pensamentos aparecem e a atenção poderá foca-los. A sobreposição produz a impressão de que somos a mente!
Naturalmente na vivência o Ser se autoconhece. Aos poucos, percebe e expande a consciência para momentos em que imerso e contido na sobreposição, o eu condicionado age impulsivamente em relação as circunstâncias. Mas há momentos em que a conquista de Metas e objetivos passa a ser a prioridade, fase em que mais prospera no mundo. Aos poucos, o olhar vai se voltando para dentro. Persona, eu condicionado ou ego enquanto se forma, produz impressões (Vrittis), que são tomadas como verdades, como a impressão de limitação, ...de separação. Porém o Ser permanecerá experienciando, vivendo, no sentido de transcender a identidade que molda o Eu condicionado pelo meio e as impressões que influem nas emoções. Reconhecer projeções ajuda a expandir a consciência neste aspecto.
A impressão de sofrimento é o que sentimos entre as ilusórias sensações de felicidade, quando os referenciais para chegar a ela são o meio, ou seja, ...quando há referenciais! 
Da impressão de separação para a comparação é um pulo! Então se sou, ajo ou tenho algo diferente do outro, começo a sentir a impressão de ser melhor ou pior, e deixo de ser igual em essência para ter reforçada a impressão de ser separado, estimulado pelo condicionamento do meio que necessita produzir cada vez mais participantes para se manter.Com a ilusão de sermos o que a mente produz e expressa, vivendo em função do ambiente social, nossa vida se resume num meio para chegar a um fim, onde a felicidade está sempre na conquista da próxima meta, do próximo objetivo, mas nunca chega, e assim, em meio a tanto trabalho nos sentimos entediados com o viver. Aqueles pensamentos nos quais nossa identidade se encaixa e expressa desde o acordar de manhã se tornarão habitualmente um escape do momento presente. Como uma espécie de resistência ao agora, e portanto, nos tornamos pessoas robotizadas que vivem sem sentir o sabor de suas ações no dia a dia. Apenas vivendo na mente.
Existem dois grandes grupos de pensamentos que fluem ao longo do dia, um associado a algo que decidi realizar voluntariamente, portanto, consciente, e que tem a ver com a força de vontade para realizar e desenvolver a vida prática, o outro, associado ao involuntário e subconsciente que normalmente aparece na tela da mente do nada e associado a uma emoção, a uma memória, a uma sugestão, etc... como uma preocupação, por exemplo. Bem parecido com a forma operacional do Feed de notícias do Facebook, onde atraímos as notícias na tela, em função do que o sistema percebe ser interessante para nós, através de nossas ações na rede (curtidas, comentários, etc). E num dado momento observo, ...tomo consciência do quanto um grupo de pensamentos pode chamar a atenção e ocupar a capacidade do foco (que deveria estar no que escolhi trabalhar consciente) através da identificação (com algo que veio por associação mas que não tem importância com relação ao que escolhi realizar conscientemente), ou seja,... passo a discernir o "pensar consciente" de simplesmente ser atraído por pensamentos subconscientes, mas que igualmente estão associados a algo. Sabe quando registramos as despesas do mês corrente para cortar despesas desnecessárias no próximo mês? Pois é! Observe os pensamentos que surgem do nada e de forma involuntária tomam a atenção daquilo em que verdadeiramente quer estar consciente. Esvazie a importância destes pensamentos involuntários, como deixa de dar importância a um gasto supérfluo, afim de deixar de faze-lo, enquanto se torna consciente do momento presente e em que realmente quer focar a atenção, em função de sua força de vontade. O estado de presença é a aceitação do momento presente, deixando fluir os pensamentos que desviam a nossa atenção do agora, sem resistência. Não é preciso estar parado ou em silêncio, afinal o silêncio necessário é o do barulho da mente, em função da compulsão aos pensamentos que desviam nossa atenção ao momento presente, assim como, a economia necessária é o resultado do corte do excesso de despesas supérfluas que nos permite viver melhor o agora. Estar consciente ao momento presente, ...ao agora, torna possível que transcendamos os pensamentos involuntários e nos alinhemos com um espaço maior da consciência, evitando que fiquemos limitados em pensamento ao espaço do EU condicionado (Ego). Estar alinhado com o que acontece no presente implica em que não estejamos resistindo ao que acontece, sem criar ou acreditar em rótulos, deixando ser como é. Não alinhado haverá pensamento limitante, e portanto, já não somos mais a presença e sim um alguém. "Acontece, apesar de mim, não controlo o que acontece. A vida se produz, portanto, aceito". A mente separada só existe do ponto de vista da mente separada. Um alguém pensante também é um pensamento. A presença na praia, num momento de descanso da vida cotidiana, sem resistência, apenas é, e o Ser flui revigorando-se, no entanto, assim que toca o celular e recebo uma resposta pra um negócio pendente, a mente entra em cena, o pensamento poderá gerar resistência ao que acontece, aquela situação, ... o alguém então surge. Ser o fluxo apesar do que acontece é em síntese aceitar o momento presente sem resistência. 
A Paz da observação do fluxo natural da vida traduz-se no silêncio!!!


sábado, 26 de julho de 2014

Anedota Sufi sobre a busca do Ser humano

Numa reunião de Sufis, num círculo, unidade básica, cerne do sufismo ativo, atraído por um mestre que ensina, um grupo de buscadores comparece à assembléia, momento menos formal em que se formulam as perguntas e os mesmos são recepcionados. Nesta ocasião, um recém-chegado acabara de perguntar ao mestre: -o Aga, há um anseio básico de experiência mística do qual toda a humanidade compartilhe?
-Sim, temos uma palavra,( respondeu o Aga), que resume tudo isso . Descreve o que estamos fazendo e compendia a nossa maneira de pensar. Através dela compreenderemos a própria razão da nossa existência, e a razão porque a humanidade, via de regra, vem falando em desigualdade. A palavra é Anguruzuminahstafil.
E explicou-a utilizando para isso uma história sufista tradicional.
Quatro homens – um persa, um turco, um árabe e um grego – se encontram numa rua de aldeia. Eram companheiros de viagem, a caminho de algum local distante; naquele momento, porém, discutiam como gastar uma única moeda, que era tudo o que possuíam.
-Quero comprar angur – disse o persa.
-Pois eu quero uzum – disse o turco.
-Eu quero inah – disse o árabe.
-Não!!! – exclamou o grego – devíamos comprar stafil.
Outro viajante que ia passando, um lingüista, propôs-lhes:
-Dêem-me a moeda. Procurarei satisfazer aos desejos de todos.
A princípio, não quiseram confiar nele. Finalmente, entregaram-lhe a moeda. Ele dirigiu-se à loja de um vendedor de frutas e comprou quatro cachinhos de uvas.
-Este é o meu angur – disse o Persa.
-Mas é a isto que chamo uzum – disse o turco.
-Você me trouxe inah – disse o árabe.
-Não! – atalhou o grego – na minha língua, isto é stafil.
Repartidas as uvas entre eles, cada qual compreendeu que a desarmonia fora conseqüência da falta de compreensão da língua dos outros.
-Os viajantes, disse o Aga, são as pessoas comuns do mundo. O lingüista é o sufi. As pessoas sabem que querem alguma coisa, porque existe nelas uma necessidade interior. Podem dar-lhes nomes diferentes, mas a coisa é a mesma.“Os sufis” – Idries Shah

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O pacote de biscoitos

Uma jovem estava a espera de seu voo na sala de espera de um aeroporto. Como deveria esperar várias horas resolveu comprar um livro para passar o tempo. Comprou também um pacote de biscoitos! Sentou-se numa poltrona na sala Vip do saguão do aeroporto, para poder descansar e ler em paz. Ao lado da poltrona onde estava o saco contendo os biscoitos sentou-se um homem, que abriu uma revista e começou a ler. Quando ela pegou o primeiro biscoito, o homem também tirou um. Sentiu-se indignada mas não disse nada. Apenas pensou: "Mas que atrevido! Se estivesse com disposição dava-lhe um soco no olho, para que nunca mais esquecesse deste atrevimento." A cada biscoito que ela pegava o homem também tirava um. Aquilo foi deixando-a cada vez mais indignada, mas não conseguia reagir. Quando restava apenas um biscoito no pacote, ela pensou: "Ah... o que vai esse abusador fazer agora?!" Então, o homem dividiu o último biscoito ao meio, deixando a outra metade para ela. Ah! Aquilo era demais, ela estava bufando de raiva!!! Então, pegou o livro e o restante de suas coisas e dirigiu-se para a fila na porta de embarque. Quando se sentou confortavelmente já numa poltrona do interior do avião. Olhou para dentro da bolsa para guardar os óculos. Para sua surpresa, estava lá intacto o pacote de biscoitos que havia comprado! O homem tinha portanto, dividido os seus biscoitos com ela, sem se sentir indignado, nervoso ou revoltado, pois se manteve o tempo todo calmo. Sentiu assim, imensa vergonha, afinal percebeu que quem estava na verdade errada era ela... Ao sentar, atenta à leitura, esqueceu que havia guardado o pacote dentro de sua bolsa e ao ver um pacote de biscoitos idêntico na poltrona ao lado, teve a impressão de que era o dela. Transtornada com o ocorrido, já não podia se explicar ou pedir desculpa, pois ele era passageiro de outro avião. Observamos no dia a dia inúmeras impressões, em função de sobreposições no nível mental, que nos levam a agir de um jeito e não de outro, mas se tivermos consciência de como elas ocorrem, poderemos evitar muitos mau entendidos.